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O que é o Treino Funcional?
Treino

21 Março 2018

O que é o Treino Funcional?

O que é o Treino Funcional?

Atualmente, no mundo do Fitness, o Treino Funcional está na moda! É tido como um tipo de treino "milagroso", com resultados mais rápidos e mais eficazes que outras formas de treino “Não Funcionais”.


Mas afinal, o que é que torna um treino Funcional?


É bastante comum, que se considere Funcional o uso de determinados grupos de exercícios com características bem definidas, como por exemplo, estabilização, coordenação e equilíbrio, e materiais específicos como, cabos, elásticos, bolas medicinais, fitball, Bosu, entre outros, com o objetivo de melhorar uma função específica (transferência para habilidades diárias).


Do ponto de vista técnico, os pressupostos tradicionais para um Treino Funcional incluem:


1. Integrar cadeias | Não isolar músculos
2. Integrar articulações | Não isolar articulações
3. Usar equipamentos com liberdade de movimento | Não usar máquinas guiadas
4. Usar instabilidade para maior propriocetividade (consciência dos próprios movimentos)


Analisemos, de forma simples, os referidos pressupostos:


Integrar | Não isolar: Quando se fala que funcional é integrar e não isolar convém reter que o Todo depende da função de cada Parte. Para integrar devemos primeiro avaliar cada parte do corpo e só depois de garantirmos que determinada estrutura está apta a uma função específica é que podemos pensar em integrar cadeias e articulações. Assim, o treino Funcional será todo o processo e todos os exercícios que o compõe até à melhoria da função.


Exercícios “livres” | Máquinas guiadas: Há um sentimento crescente de que as máquinas de treino guiadas (máquinas convencionais de uma sala de musculação) são inadequadas e que os equipamentos com liberdade de movimento são o método de escolha quando falamos em treino Funcional. O essencial deste argumento baseia-se na crença de que a força obtida através de movimentos que são definidos pela máquina, não se transfere para as habilidades diárias, enquanto que, os movimentos com equipamentos livres são decisão do executante e por isto são “mais funcionais” pois resultarão em mais ganhos de força “transferíveis”. No entanto, há que lembrar que “Somos Nós que treinamos e Não a máquina”! Partindo de uma visão simples de que qualquer coisa que eu faça que melhore a minha condição fisiológica é Funcional poderemos já concluir que todos os exercícios (com máquinas guiadas e/ou com equipamentos livres) podem ser Funcionais.


Consideremos o seguinte exemplo prático: A máquina “Leg Curl” existente em todos os ginásios. Será um exercício funcional? Sim! Fazer a “Leg Curl” melhora a capacidade de os músculos posteriores da coxa fazerem flexão da perna, extensão e rotação externa da coxa. Então, este é um exercício Funcional realizado numa máquina guiada!


Proprioceção: de uma forma simples, a proprioceção pode ser compreendida como a consciência dos movimentos produzidos pelos nossos membros. Numa abordagem mais técnica, refere-se ao fluxo de sensações ininterrupto que tem origem em recetores do corpo, situados nos músculos, tendões e pele. O importante a reter é que este fluxo é contínuo e inconsciente. Assim, é errado chamar a um exercício numa estrutura instável de “exercício de proprioceção”, mesmo que ele provoque a intensificação e alteração da aferência propriocetiva. O erro está em considerar que apenas o trabalho em base instável tenha efeito sobre a proprioceção , quando qualquer exercício (na verdade, qualquer movimento) terá este efeito, na medida em que modifica a linha de base. Por seu lado, a instabilidade prejudica a intensificação do exercício ao reduzir a aplicação de força e a amplitude de movimento, o que pode comprometer os ganhos de força, massa muscular e potência. Assim, a instabilidade pode não ter benefícios, logo, pode não ser Funcional.


Conclusão


A mera seleção de exercícios não torna um treino Funcional. Para que um treino seja funcional, todos os estímulos aplicados ao corpo durante um exercício têm de ser apropriados à pessoa e ao seu objetivo. Neste sentido, afirma-se que não existe treino funcional e não-funcional, pois, desde que sejam assegurados os pressupostos referidos, todos os exercícios poderão ser enquadrados em alguma fase do treino e gerar a adaptação desejada para uma tarefa/função específica.



Por Abigail Fonseca, Personal Trainer